dezembro 12, 2017

Fetish


Fanfic de: A Irmandade da Adaga Negra
Classificação: +18
Contém: sexo e violência.


O cheiro adocicado dos malditos redutores estava impregnado no nariz de Vishous, misturado com o cheiro de uísque de Butch, e ele simplesmente não conseguia se controlar. As costas do tira estava na sua frente, e ela era enorme, o cabelo batendo na nuca estava parado, assim como todo o ar naquele armário. Rezando para nenhuma brisa entrar por ali, para nenhum dos dois fazer barulho, e principalmente rezando para não encostar na pele de O'Neal.
Vishous conseguia ver a respiração do cara ir e vir, a jaqueta negra levemente subindo e descendo. Um barulho alto veio do lado de fora do cômodo, ouviram o Sr X reclamar, bater em alguém, e então muito sons de socos e gritos. Não fazia a menor ideia do que estava acontecendo mas seu nariz sabia que haviam pelo menos dezoito redutores ali fora. Ele e Butch eram fortes, mortais, mas não estúpidos, portanto se fecharam dentro de um armário um tanto quanto pequeno e ali estavam, aguardando angustiados. Butch havia perdido o celular em algum momento daquela noite e Vishou deixara o dele no Escalade, que nesse momento se encontrava no pátio atrás do ZeroSum. Se amaldiçoou mentalmente, e puxou um longo suspiro, se odiando mais ainda em seguida pois o cheiro de Butch entrou em suas narinas como uma droga, e sua ereção quase estourou a braguilha de tão dura e desesperada.
Butch podia sentir o desejo palpável no ar, e queria poder dizer que era o efeito de alguma fêmea no cio, mas não tinha como. O cheiro da excitação de Vishous era delicioso, e ele não aguentava mais fingir que eram só amigos, que ele não sentia nada. Droga, como católico não tinha nada contra, mas nunca achou que pudesse acontecer com ele. Assim como nunca imaginou que seria transformado em vampiro, ou muito menos seria parte de uma profecia. Mas fazia sentindo, a treva e a luz juntas, inclusive seus corpos, transando com selvageria contra uma janela qualquer. Butch visualizou seu pênis entrando e saindo do corpo de Vishous, enquanto segurava sua bunda, o mantendo naquela posição, enquanto arremetia cada vez mais forte. 
Lendo sua mente, Butch ouviu Vishous gemer e a cabeça cair pra trás, o cheiro do corpo dele crescendo naquele cômodo como erva daninha, impregnando seu corpo e estrangulando seu membro que lutava pra sair daquela prisão e fazer exatamente como tinha imaginado. Mas não iria, não podia. Era ultrapassar todos os limites. Os barulhos cessaram, e pode ouvir os redutores deixando a casa; parecia que o redutor principal não estava satisfeito, porém Butch não dava a mínima. Sua única necessidade nesse momento era sair dali, e assim que ouviu o carro deixar o recinto abriu a porta do armário com pressa e foi surpreendido com uma queimação absurda no braço. Gritou e se jogou para trás, caindo no colo de Vishou, que o segurou prontamente.
- Tira, você está bem?
Butch queria responder, mas a queimação em seu braço não o permitia, apenas gemeu e tentou se levantar, porém Vishous o manteve ali, sentado em seu colo, sentindo sua ereção contra sua nádega. De repente Butch sentiu um calor familiar em seu braço, a dor desaparecendo. Butch se pôs em pé num pulo, porém ficou um pouco zonzo, estava fraco. Não se alimentava há um mês e havia consumido redutores demais na última semana, e agora sua pele havia recebido mais um golpe, e apesar da luz de Vishous o ajudar, ela não fazia o trabalho sozinha.
- Você está com fome. Posso sentir.
- Quando voltarmos para a Irmandade chamarei uma escolhida imediatamente.
- Sim... - Vishous suspirou.
- O que foi V? Também não estou feliz de ter que ficar aqui até o sol se pôr, mas faremos o que? Sem celular não dá pra chamar o Fritz. - Vishous não respondeu então continuou: - Droga, queria uma cama, ou um sofá agora, estou cansado.
- Queria que meu sangue fizesse o mesmo efeito que das escolhidas, assim poderia te alimentar.
Butch ficou estupefato. Queria isso. Queria que fizesse o mesmo efeito de saciedade e força, mas apesar disso também sabia que ele poderia beber de Vishous e que seria prazeroso do mesmo jeito, só não teria os benefícios vitais. Butch abriu o bolso da jaqueta, pegou seu cantil e deu um longo gole do uísque grey goose que tanto ele quanto V adoravam. Estava pronto para oferecer para Vishous quando deu de cara com seus olhos azuis colbato, tão próximos que não podia raciocinar. 
Foi então que Vishou o beijou. Na boca.
Vishous gemeu tão alto que sentiu vergonha. O gosto da bebida, com o fato de que estava tocando os lábios de O'Neal era suficiente para isso. V sentia Butch tenso, porém o cheiro não negava que ele estava tão afim quanto. Ah sim, Vishous tinha captado as imagens eróticas da mente de Butch, afinal, ele praticamente gritava, e estava louco pra conseguir colocar aquela fantasia em prática. A língua quente de Butch enfim se moveu, indo pra frente e encostando no lábio inferior de V., procurando espaço e entrando em sua boca, encontrando a sua, onde como duas cobras, começaram a duelar, a marcar território, a dominar. 
Butch num súbito surto de coragem, empurrou Vishous pra longe, o derrubando sobre os cobertores velhos que haviam no armário, a poeira subiu, mas nenhum dos dois se importou. Butch rasgou a camiseta branca de Vishous e mergulhou com tudo em sua garganta, as presas se enterrando em sua veia. A dor o invadiu seguida de um prazer imensurável. Butch sabia que ele nunca havia alimentado ninguém, e fazer isso com o tira era cruzar a linha. Sem se importar,  Butch continuou a sugar, enquanto sentia os quadris de Vishous se moverem para frente e para trás, a beira de um orgasmo. 
Gemendo, Vishous abriu a braguilha de Butch, expondo aquele pênis enorme e grosso que tanto queria. Abriu a sua também, e juntou os dois membros, suas duas mãos se fechando contra seus sexos, apertando, esfregando, simulando um sexo que com certeza aconteceria em poucos segundos. Butch largou sua veia apenas para gemer seu nome em sua orelha, e em seguida cravar as presas novamente. Foi o suficiente para Vishous gozar incontrolavelmente. 
Butch selou os furos, e partiu para o pênis de Vishous, dominado por um desejo de sangue e sexo, O'Neal colocou os lábios sobre a glande de V., e começou a lamber todo o sêmen que estava ali, gradativamente chupando mais e mais forte, até Vishous rebolar contra seus lábios e arremeter toda aquela carne grossa em sua boca, fundo até a garganta. Butch gemeu, chupando mais forte, até que Vishous gozou novamente. Limpou tudo com a língua, e sentindo que Vishous queria tomar a frente, Butch o empurrou de volta ao chão, com um olhar animalesco, deixando claro para V que ele não iria fazer nada até que Butch estivesse satisfeito.
Vishous estava entregue, nunca havia feito isso antes, mas para Butch estava completamente entregue - e sem o menor medo disso. O que seria até preocupante se não fosse absolutamente correto. Butch o beijou na boca, abrindo suas pernas após retirar sua calça de couro, como estava sem cueca ficou nu, pronto para ele. Butch desceu para os mamilos, o mordendo ali, causando dor, do jeito que V gostava. Então sua língua foi lentamente para o sexo dele, cuspindo em cima, alisando com a mão e então afundando a boca mais uma vez. Quando se deu por satisfeito, ao sentir que Vishous estava mais uma vez perto de outro orgasmo, Butch desceu mais ainda, chupando seus testículos, sentindo a textura das bolas em sua boca, e então, rompendo o limite final, Butch colocou a língua na entrada de Vishous.
Demorou três segundos para Butch perder a inibição. E quando o fez, Vishous viu estrelas. O tira lambia seu ânus e o masturbava com uma rapidez e agilidade violentas, seu corpo convulsionando, pronto para o orgasmo, mas droga, como queria tocar Butch também, queria tê-lo em sua boca, queria engolir todo seu gozo, queria beber dele. Mas faria isso outra hora, afinal, Butch não dava brecha alguma, apenas tomava tudo de V, e merda, ele daria tudo até estar exaurido. 
Butch abriu os olhos e Vishous o encarava com luxúria, um desejo cru que gostaria de morrer ali se pudesse. Seu pênis estava ficando roxo de tanta vontade de gozar, e seria satisfeito nesse momento. Levantou o corpo, levando sua pélvis para perto do rosto de V, que abriu a boca imediatamente. Butch foi chupado, gemendo e fodendo a boca de Vishous, que o recebia até a garganta. Após alguns segundos, Vishous ouviu um rugido delicioso sair da boca de Butch  e o mesmo abriu suas pernas, meteu dois dedos babados em seu ânus, e o penetrou.
Os dois gritaram quando Butch chegou até o fundo. O corpo de Vishous inteiro tremia, o orgasmo na ponta de seu pênis, estrangulado, louco pra sair, mas não agora. Butch começou a se mexer, entrando e saindo de dentro do corpo de V., exatamente como em sua imaginação, e após algumas dezenas de arremetidas, Butch começou a tremer.
- Goze pra mim, Butch.
Butch abriu os olhos, e não suportou a visão de Vishous sentado contra o pano, com as pernas abertas, seu pênis grosso e úmido em pé como um tronco, seu pênis mergulhando e saindo de dentro de seu centro... Gozou gritando o nome de Vishous enquanto sentia jatos quentes saindo de dentro de si. Quando abriu os olhos a barriga de V estava completamente suja, e pôs-se a lamber tudo mais uma vez, terminando em sua boca, pronto para mais um beijo. Saiu do corpo de V, e deitou-se ao seu lado. Não havia nem cinco segundos que relaxara, quando foi-se colocado de costas para o chão. As mãos de V prendiam as suas por trás, e seu pênis duro mais uma vez estava encostando em sua bunda.
- Agora é minha vez. 
Vishous sussurrou, arrepiando Butch inteiro, e então o mordeu.

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maio 21, 2014

Peccatum.


Sinopse: Dentro de um seminário, Huan Zi Tao é obrigado a dividir o quarto com seu mentor. 
Mal conseguia imaginar que se perderia naqueles olhos tão dissimulados quanto sua alma.
Categoria: EXO
Classificação: 18 anos.
Conteúdo: Linguagem Imprópria, Sexo.


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maio 04, 2014

Maledixit Circo - Capítulo Três.

Capítulo 3 - Découverte.




— Descoberta.

Chovia naquele dia.
E o barulho — que ao ouvido de BaekHyun e SeHun era gostoso, os fizeram despertar. O sol brilhava de maneira tímida, porém continuava chamando atenção, como era de se esperar. O vento batia contra tudo e contra todos, balançando os cabelos, os panos das tendas. Era quase hora do pôr do sol, e aquela sublime bola de luz, preparava-se para se retirar, e deixar seu posto por algumas horas. Descia pelos céus, como se estivesse caindo vagarosamente em um escorregador, tendo o céu inteiro como seu parque de diversões particular.
BaekHyun passou as mãos pelos cabelos alourados e lisos de SeHun, vendo-o franzir o nariz, e lamber os lábios, tirando a secura deles após horas dormindo, e então aninhando-se novamente ao colo do moreno. BaekHyun sorriu, e bagunçou aquelas madeixas novamente, desta vez com certa pressão, fazendo seu amigo abrir um dos olhos e encará-lo, a face cansada e preguiçosa.
SeHun sentou-se, ainda olhando para BaekHyun. Eles sempre fizeram isso, de se comunicar, ou de entenderem-se, apenas pelo olhar. Sempre foi muito fácil compreender um ao outro, mesmo sem o uso de palavras. Eles atribuíam essa capacidade, ao fato de serem vizinhos desde o nascimento de ambos. Era uma questão de se conhecerem por toda a vida.
O louro, e um ano mais novo, levantou-se, buscando a garrafa d'água e consumindo um pouco do líquido, sentindo aquela substância morna descer por sua garganta, molhando todos os tecidos e matando sua sede, ao mesmo tempo em que calava seu calor corporal.
O sol começou a se pôr vagarosamente, como uma lagarta que caminha em direção ao seu casulo, escondendo-se do mundo por alguns instantes. Era uma pressa um tanto quanto lenta. Aqueles poucos minutos dos quais o sol levava para se esconder, eram os sublimes momentos de despedida. Aqueles segundos deslizando para além do horizonte, eram apenas suaves acenos, uma mensagem natural de boa noite.
E para a alegria de muitos, especialmente da trupe circense, a noite aparecia brotando como uma borboleta recém nascida. Suas asas cobrindo todo o céu, e sua essência iluminando a cidade.
BaekHyun se remexeu, inquieto, ao constar que SeHun havia se levantado, e tinha o cenho franzido, obviamente confuso, enquanto encarava algo. Seguiu o olhar do louro, e foi então que tudo finalmente começou.
A lua havia tomado o lugar do sol, e era assim que o circo ganhava a vida.
Uma luz única e especial que vinha de cada pessoa, de cada integrante; aparecia, brotando do meio de cada um daqueles corpos, espalhando-se por todo o espectro, envolvendo a forma, e enfim recriando os corpos.
      O circo e todos os seus integrantes estavam nascendo perante os olhos dos dois garotos, brotando como uma flor de lótus.
Era um ato tão bonito, e extremamente confuso. BaekHyun estava em completo e silencioso pânico. SeHun, impassível. Os olhos do mais velho pairaram no mágico, que estava com um semblante sério quando finalmente as luzes cessaram sobre seu corpo. Estava devidamente vestido com sua roupa preta, uma gravata afrouxada na cor vinho incendiava o ambiente, fazendo o sangue de BaekHyun borbulhar, e o oxigênio tornar-se insuficiente por alguns minutos.
SeHun olhou para o canto esquerdo, e avistou o cigano do dia anterior com o corpo repousado na pilastra. Seus cabelos vermelhos, seus olhos repuxados, e a maquilagem escura chamavam completamente atenção. Mas não foi exatamente a questão da aparência - perfeita - que chamou a atenção do louro, e sim o fato de ele estar com uma das cartas que havia retirado quando o consultou nas mãos, e um sorriso prepotente nos lábios. Um sorriso de quem sabia mais do que deveria.
Um rugido então reverberou o ambiente, fazendo SeHun e BaekHyun tremerem de leve. Ambos olharam para a direita, e lá estava ChanYeol, o domador de animais, com sua mais bela preciosidade. Um tigre branco enorme, cujos olhos azul colbato sufocavam todos presentes. Era como se afogar em uma água invisível. 
Kai andou alguns passos, chegando perto de SeHun. Olhou-o com tanta precisão que o loiro não conseguiu proibir suas bochechas de ficarem rubras. Era o tipo de olhar que cutucava sua alma, como um beijo demoníaco que lhe arranca a essência da carne, puxando, envolvendo para uma atmosfera perfeita, onde nada mais é certo ou errado. O mágico era esse tipo de pessoa. SeHun se perguntou se era algum truque de mágica também, ou apenas a natureza daquela criatura.
ChanYeol encostou o corpo contra o tigre, que ronronou de leve - um som grave e nada parecido com um ronrono de gato doméstico, porém ainda assim, era um som gostoso. O domador fez um carinho em seu animal, e este calou-se por alguns segundos.
"Vocês não deviam estar aqui", disse o mágico, finalmente quebrando todo aquele maldito e agonizante silêncio. 
Um minuto se passou até que SeHun criou coragem e respondeu: "Hm, nós sabemos..."
"Então por que estão aqui?", o dançarino de cabelos rosas perguntou, a voz escorrendo veneno e prepotência. 
"Porque queremos", dessa vez foi BaekHyun quem respondeu. "Gostamos mais do que deveríamos do circo, e queremos ficar".
Uma risada explodiu pelo ambiente. Era o dançarino de novo. Aquele gargalho estava recheado de escárnio, o que enfezou um pouco BaekHyun.
"Quieto, LuHan", disse o domador. Sua voz era intensa, grossa e qualquer um em sã consciência obedeceria após ouvi-lo ordenar daquela forma. 
O sangue de BaekHyun esquentou, e ele não soube dizer o porquê.
De repente o tigre levantou-se, e caminhando com singularidade e destreza, foi até o encalço de Baek Hyun e o cheirou por alguns segundos. Ameaçou abrir a boca, e SeHun trincou-se ao chão, temeroso; BaekHyun estava desta vez impassível, e pela primeira vez da vida não tinha medo de algo, o que era extremamente estranho. Quando o tigre aparentou estar novamente calmo, ele aproximou seu corpo do de BaekHyun e esfregou-se contra ele, exatamente como um gato doméstico.
"Ora, ora, isso sim é uma novidade", o cigano, chamado Zi Tao exclamou.
ChanYeol olhou para o chinês com o cenho levemente franzido, e o sorriso de Tao apenas aumentou. "Você sabia disso?", o domador perguntou.
"Sim", respondeu, olhando para suas unhas pintadas de preto, que descascavam de leve, e então ergueu o queixo, encontrando o olhar do domador e do ilusionista, que o encaravam com a mesma intensidade e aflição. "As cartas nunca me escondem nada".
"E não pensou em contar isso para gente?" ChanYeol perguntou, o tom de voz aumetando de leve, porém tal fato nem sequer abalou Tao.
"Hm, não. Tem coisas que vocês não precisam saber com antecedência", o cigano pegou seu molho de cartas, e as colocou sobre a bancada, retirou duas delas, colocando-as na vertical, e então retirou mais duas, colocando na horizontal paralelas às primeiras, formando uma cruz mal feita. Sorriu, debochado, e então recolheu-as. Quando terminou de reagrupá-las, olhou para os dois homens, e disse: "Como por exemplo essas..." balançou o maço em suas mãos, "Vocês não tem que saber", piscou, e então deixou o recinto.
Praticamente todos estavam atônitos, menos o ilusionista, que conhecia Tao a tempo suficiente para saber que ele estava correto. O fato de ele poder saber coisas sobre o futuro não dava o direito de todos saberem também. Afinal, mexer com o destino não dava nada certo. A partir do momento que você sabe que algo vai acontecer, você automaticamente tenta fazer de tudo para aquilo realmente ser verdade, entretanto quando faz isso, você pode acabar mudando o percurso do destino. Nunca se sabe quando uma pessoa vai entrar na porta errada.
"Pois bem", Kai começou a falar, olhando para os dois meninos, "eu ainda tenho muito o que pensar, e eu deveria expulsá-los daqui imediatamente, porém vocês viram demais. E além do mais, eu confio em Tao o suficiente para saber que ele não está mentindo."
"Mas JongIn..." o outro dançarino, uma espécie de artista na verdade, se pronunciou, e Kai apenas levantou a mão, em um gesto claro para que ele se mativesse quieto.
Kai suspirou por ter sido chamado pelo verdadeiro nome, não gostava que pessoas de fora tomassem consciência disso, mas depois de ter sido descoberto, isso se tornava algo totalmente banal. 
O domador fazia carinho em sua fera, que ainda estava ao lado de BaekHyun, lambendo-lhe a mão direita, fazendo-o sorrir, e acariciá-lo com a outra mão. ChanYeol olhou para BaekHyun, e mais uma vez o sangue do garoto borbulhou.
"Vocês ficam aqui hoje", Kai disse para SeHun que estava impassível novamente. "XiuMin, arranje uma tenda confortável para eles por favor. E Chen, por favor, cozinhe algo".
Os dois amigos e subordinados ouviram suas tarefas com atenção, e então saíram da tenda principal. LuHan bufou e foi para seu quarto, enquanto YiXing ria do garoto, e também deixava o ambiente, indo atrás de XiuMin para ajudá-lo.
"Espero que o que vocês viram não saia daqui", Kai disse, seu tom era quase uma súplica. 
"Não vai sair, pode confiar". 
"Seu nome?" Kai perguntou, sentando-se em uma grande caixa que estava suja de purpurina prateada, fazendo uma careta ao constar-se de tal coisa.
"Oh SeHun. O seu é Jong In, certo?"
O mágico apenas confirmou com a cabeça, dirigindo o olhar para o outro, que ainda acariciava o tigre.
"O meu é Byun BaekHyun".
"Parece que Kirios gostou de você", comentou JongIn que olhava fixamente para ChanYeol. Pareciam estar trocando informações ali, e SeHun sentia-se desconfortável perante uma intensidade tão grande.
"Ele é magnífico..." BaekHyun comentou, agora acariciando a parte traseira de uma das orelhas de Kirios. O animal era simplesmente maravilhoso. Seu pelo branco como a neve, e os olhso extremamente azuis, rodeados por litras negras que envolviam todo seu corpo como uma enorme tatuagem. Eram listras tão bem desenhadas, pareciam até mesmo pintadas a mão. BaekHyun não conseguia evitar perder-se nas orbes daquela criatura formidável. "Hm, Kai..." chamou BaekHyun, e quando teve a atenção do ilusionista, prosseguiu: "Nós pretendemos ficar com vocês. Eu sei que isso é louco, e inusitado, mas por favor, nos deixe ficar".
Kai ficou em silêncio por vários minutos, relembrando-se de Tao retirando as cartas, lembrando-se daquele olhar, daquele sorriso. Sabia que tinha algo grande por trás de tudo aquilo. Além do que, ninguém nunca havia querido ficar com o circo assim. Era impensado, realmente, aqueles ali eram duas crianças. Suspirou.
"Vocês tem uma semana para mostrar que serão úteis", Kai finalmente se pronunciou e o sorriso de BaekHyun cresceu consideravelmente. Jong In levantou-se, passando a mão pelos cabelos, virando-se de costas para ir embora, mas antes, virou para BaekHyun e completou: "você é o novo assistente de ChanYeol". E então partiu.
ChanYeol já estava de costas e caminhava para o lado oposto de Kai quando o ouviu dizer aquilo. Ergueu as sobrancelhas , pensando em como seria aquilo e então seus sentidos já estavam longe da capacidade de ouvir Kai, apesar de ter certeza que ele tinha saído de lá também. 
Kirios lambeu a mão de BaekHyun uma última vez, antes de seguir seu dono até seus próprios aposentos. BaekHyun tinha um bico enorme nos lábios, como uma criança emburrada que teve seu picolé negado em uma tarde de calor.
SeHun riu de seu amigo, e bagunçou-lhe os cabelos, e XiuMin entrou à tenda novamente, dizendo-lhes que seu novo quarto estava pronto, assim como a comida. Eles lhe sorriram, seguindo com alegria e curiosidade. Provaram de uma comida maravilhosa; realmente Chen era um ótimo cozinheiro, e então seguiram para sua tenda, onde duas camas estavam devidamente arrumadas. 
"Nós temos um espetáculo esta noite. Eu os convidaria, mas acho que é melhor descansarem, vocês estão exaustos", XiuMin disse com simpatia.
BaekHyun respondeu-lhe que sim, que adorariam deitar e descansar aquela noite. E então após XiuMin ter certeza de que eles estavam bem instalados, os dois garotos desabaram sobre suas camas, sendo envolvidos por um sono pesado e sem sonhos.

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abril 03, 2014

Maledixit Circo - Capítulo Dois.

Capítulo 2 - Évasion




 A ideia.
"Nós devíamos ir com eles", disse Baek Hyun, após uma longa salva de palmas de todos que estavam ali dentro. O ar estava estático, e a objetividade imposta pelo olhar de Baek Hyun fez Se Hun se arrepiar. 
Sabia exatamente do que seu amigo estava falando. Entretanto o medo o rondava, ficando na espreita, pronto para mais um momento de dominação. Porém sem imaginar que o próprio Se Hun iria atingi-lo, o medo viu-se caindo ao chão, como se tivesse sido socado no estômago, quando os olhos secos e sem muita expressão de Oh Se Hun encontraram o do domador, que sorria para sua fera, e então desviou a face, encarando o loiro. 
Se Hun desviou o olhar, e ignorando as bochechas coradas, fixou os olhos em seu melhor amigo. Baek Hyun sorriu de canto, e os dois enfim voltaram a prestar atenção ao espetáculo.

 Insônia.
O caminho de casa havia sido longo e cansativo. Os olhos ameaçavam fechar, e o corpo cair sobre a cama, porém ainda estavam entrando em casa.
Baek Hyun fechou os olhos e visualizou as vestimentas de Kai. Visualizou também o rosto daquele homem sobre a meia luz. O olhar era fugaz, penetrante. Dava vontade de esfregar uma perna na outra, e de soltar grunhidos de frustração. As mãos coçavam, e ele fazia todos delirarem com mais um truque. 
"Cuidado", Se Hun disse, fazendo Baek Hyun abrir os olhos e colocar a mão em frente ao rosto, direto no batente da porta, aonde iria com toda a facilidade do mundo, bater o rosto, e machucar o nariz. Riu soprado, e agradeceu o loiro. Entraram ao quarto, e jogaram-se na cama. 
Eram quase cinco da manhã, e o sol ameaçava querer aparecer. Os dois garotos se olharam, e mudamente concordaram com o plano de Baek Hyun. Se Hun deixou a casa de seu amigo, e foi até o de sua mãe, que era na casa ao lado. Olhou para sua cama, que estava bagunçada, e cheia de revistas e livros espalhados por ela. Pegou um pequeno monte de roupas de seu armário, colocou-as em uma mochila. Foi então até o banheiro, e pegou todos os produtos básicos de que iria precisar. Também guardou comida, e pegou uma quantia um pouco alta de dinheiro, que havia guardado ao longo dos anos em uma caixinha. Colocou um casaco mais pesado — que aguentasse bastante frio, caso não houvesse muito êxito em sua missão pseudo suicida — e foi ao encontro de Baek Hyun.
Eles saíram na espreita, uma vez que todos na casa de Baek Hyun estavam dormindo pesadamente. Não havia mais ônibus àquela hora da madrugada, então decidiram ir a pé — após comerem algo na casa do mais velho.
Caminharam cerca de quarenta e dois minutos. O circo ficava do outro lado da cidade, e eles foram conversando coisas banais, assim o trajeto ficava mais rápido, e menos maçante. Baek Hyun suspirou ao se ver em frente ao circo. Se Hun engoliu em seco, e então raios de sol surgiram, cegando suas vistas por alguns segundos. Veio direto e certeiro, como se quisesse ferir as vistas dos garotos por algum tempo, como se fosse proposital. 
Ouviram risadas baixas, e então um silêncio tomou conta de todo o local. O circo estava fechado há uma hora. E após a aparição repentina do sol, o vento parou por alguns segundos, assim como os sons. Não parecia haver ninguém lá dentro.

 Invasão.
Baek Hyun encarou o portão. Era negro, e grande, entretanto as grades não eram grossas, e eles poderiam atravessá-las perfeitamente caso tentassem. Não havia placas de "não toque", ou "não ultrapassem". Era do senso comum não fazer esse tipo de coisa. Mas nessa noite, Baek Hyun era um desajustado. Ele jogou a mochila por cima da grade, ouvindo-a fazer um barulho quase surdo, por mais que estivesse pesada, para dentro da área circense. Colocou uma das pernas dentro da abertura, e deslizou com graça para o outro lado.
Sorriu para Se Hun que mordia os lábios, um pouco nervoso, mas logo imitou o amigo, perpassando o corpo magro e belo através das grades de metal, como se estivesse dançando, e não simplesmente invadindo uma propriedade alheia.
Começaram a andar, primeiro deram uma volta completa no circo pelo lado de fora, para se certificarem de que não havia ninguém por ali. Quando finalmente voltaram para os portões, perceberam que a tenda principal não estava trancada, amarrada, ou qualquer coisa do gênero. Poderiam simplesmente passar. E foi o que fizeram. 
Era o circo, como antes haviam visto. As tendas privadas espalhadas por todo o local, todas em cor negra agora. Durante a noite essa negritude ganhava um brilho colorido, e cada tenda tinha um tom diferente, que ia mudando conforme você saía dela. Era algo mágico. Você entrava em uma tenda levemente azulada, e quando a deixava, você piscava e ela estava agora laranja. Se você piscar de novo, parecia que estava em outro ponto do circo. Você não sabia nem mais se havia estado dentro daquela barraca ou não. E era esta a graça pós espetáculo. Conversar sobre as tendas, e ver como cada um via cada uma delas de uma forma.
Cada artista tinha sua tenda, e cada tenda tinha sua própria beleza. Havia a tenda principal, que ficava no centro de toda essa feira artesanal, e lá as principais atrações aconteciam. 
  Entretanto agora, às cinco e meia da madrugada nada havia além do preto, do vento, e do canto de pássaros ao longe misturados com as respirações nervosas e ansiosas dos garotos.
Se Hun andou vagarosamente, passando os dedos pelo tecido sedoso, que deixava rastros secos de algo que parecia purpurina —  mas que não se conseguia ver, até estar em frente à tenda principal, que tinha as cortinas abertas. Baek Hyun se juntou à ele, e largou a mochila ao chão, olhando para tudo com as íris tão brilhantes quanto as estrelas em uma noite onde no céu não há nuvens.
Era um cenário típico, haviam várias caixas espalhadas, roupas deixadas ao vento. Animais dormiam em cantos distintos, e os raios de sol entravam por cada poro da tenda maior, deixando aqueles pequenos fiapos de luz, onde se vê completamente a poeira, porém esta luz não era o amarelo solar que estamos acostumados. Cada filete era de uma cor, simplesmente belo, e inesperado.
"Olá?", Se Hun chamou, a voz tendo como resposta um eco finito. "Há alguém aqui?" 
Baek Hyun riu pelo nariz, e sentou-se em cima de um caixote, que quebrou-se com seu peso. Se Hun virou para sua direção e viu o amigo sentado, com as pernas na altura dos ombros, e a expressão confusa, juntamente do cabelo bagunçado. Se Hun gargalhou gostosamente, e quando parou, ainda conseguia ouvir sua voz vibrando por todo o local, tocando o pano que os cobria e então sumindo.
Um vento forte rodopiou o corpo do loiro, e ele sentiu como se tivesse sido intimamente tocado. Tremeu, em um calafrio brusco, olhando para Baek Hyun, que nem prestava atenção em si, e sim na mochila, de onde retirava um pacote grande de biscoito, e uma garrafa de suco.
"Que foi?", olhou para Se Hun, que o encara de forma impassível, "eu tô com fome."
"Não falei nada."
Baek Hyun deu de ombros, e ofereceu o lanche à Se Hun, que aceitou de bom grado. Sentaram e ficaram conversando por quase uma hora e meia, porém o sono dominava o corpo daquelas duas crianças. Estavam acordados desde a manhã anterior. E agora, dentro do circo, uma paz diferente enchia seus corações.
Se Hun deitou no colo de Baek Hyun, que apoiava o corpo contra uma das mochilas, afim de pegar no sono. Em poucos segundos Se Hun sentiu-se pegar no sono, sendo embalado por uma nota musical que ele não sabia vir do circo, ou da sua mente.
Baek Hyun tinha os olhos semi abertos, cansado demais, porém curioso e animado demais para render-se ao sono. Piscou uma vez, e seus olhos se demoraram a abrir, entretanto quando o fez, o garoto jurou ver os olhos do tigre branco à sua frente, encarando suas orbes com ar de curiosidade e admiração, enquanto sua epiderme se arrepiava com o toque de mãos macias, que corriam desde seu ombro exposto pela regata, até suas mãos, onde enlaçavam seus dedos. Quando ousou se remexer, ouviu um sopro perto de sua orelha, e sua cabeça pendeu para o lado, os olhos se fechando, e antes que pudesse cair na tentação de dormir, um odor de menta adentrou suas narinas, e um arrepio correu sobre suas pernas.
Sem forças para coordenar o próprio corpo, Baek Hyun abriu a boca, porém o sono possuiu seu corpo, fazendo-o enaltecer no mundo dos sonhos.
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